Jornada dupla: emprego e free lance

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Por Marina Gaspar

As facilidades trazidas pela tecnologia ampliaram as possibilidades de trabalho, especialmente aquele feito a distância. Com isso, também cresceu o número de profissionais que vêm agregando projetos extras à carga de trabalho, o chamado free lance, seja para reforçar o orçamento ou para atingir objetivos profissionais. O problema é: como fica a relação com o empregador oficial?

“Não é errado o profissional fazer um trabalho extra. Às vezes, ele quer produzir mais ou precisa de um rendimento extra que a empresa não pode dar naquele momento”, explica Daniela do Lago, coach e especialista em comunicação empresarial. Ela enfatiza, no entanto, que a tarefa não pode representar concorrência direta ao empregador. “Os dois trabalhos não podem concorrer”, diz.

Para quem faz trabalhos como free lance em paralelo ao emprego fixo, a dica é não esconder do chefe. “O mundo é pequeno, as pessoas conversam e será sempre pior ele saber por outra pessoa”, diz. Por isso, uma conversa franca é sempre recomendada, pois o gestor precisa saber que o profissional não vai usar tempo de trabalho ou recursos da empresa desenvolvendo a atividade extra. “Ninguém deve satisfação do que faz fora do trabalho, mas é sempre melhor conversar e mostrar o que você está buscando com o outro trabalho. Não vejo mal em falar”, ensina Daniela.

Produtividade não pode cair
Na conversa com o chefe, porém, o funcionário precisa deixar bem claro que o projeto realizado fora da empresa não terá nenhum impacto sobre o trabalho dele, incluindo reflexos sobre desempenho e produtividade. Também não é indicado comentar com os colegas de trabalho, já que o trabalho como freelancer deve ficar do lado de fora do escritório.

Para quem faz trabalho extra apenas esporadicamente, a questão é de menor relevância. Porém, quem o faz continuamente pode ter problemas, principalmente se houver necessidade de interação entre as partes ao longo do dia. “Quem opta por fazer dois trabalhos deve ter a certeza de fazer bem-feito. É muito importante não comprometer a produtividade”, diz Daniela.

Hora de decidir
Ela acredita que, em algum momento, o profissional terá de optar entre seguir na empresa ou na carreira solo. A designer Catarina Nova prevê que esse dia vai chegar. Ela trabalha em uma agência e, recentemente, recebeu a proposta de um antigo cliente, conhecido de um trabalho anterior, para tocar um projeto como freelancer. Catarina topou e hoje concilia as duas atividades com um curso de pós-graduação. E garante que a situação tem vantagens, tanto pelo ganho extra quanto pela rede de contatos que vai formando.

Outra vantagem, segundo ela, é a oportunidade de mostrar o seu trabalho, sem a assinatura de mais ninguém. “Consigo mostrar minha competência e, assim, fazer meu próprio networking para, quem sabe mais para frente, seguir carreira solo”, explica. A designer destaca ainda a oportunidade de, como free lance aperfeiçoar-se na profissão ao assumir responsabilidades e realizar atividades que não desenvolve no emprego “oficial”. Mas também há desvantagens. “Você fica sem tempo para nada. Mas como é por um período determinado e com expectativa de desenvolvimento, vale a pena”, relativiza. “É preciso pensar bem antes de entrar em uma situação dessas para não deixar ninguém na mão e não perder completamente sua vida pessoal”, finaliza.

Canal RH
Fonte:
http://bit.ly/k3X4yq

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