Escritores e ilustrador premiado ressaltam importância da literatura

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Estímulo à leitura deve começar cedo (Foto: Thinkstock/Getty Images)
Coloridos, instigantes, divertidos... Os livros fazem a alegria das crianças e estimulam a formação de futuros leitores. Quem não lembra de clássicos como "Chapeuzinho Vermelho", "Branca de Neve e os Sete Anões" e "Pinóquio"? E inesquecíveis títulos nacionais, como "Reinações de Narizinho" e "Sítio do Pica Pau Amarelo", do mestre Monteiro Lobato? Até hoje essas e outras obras inspiram jovens e adultos. Para o autor Pedro Bandeira, é fundamental ler para as crianças
“Leia uma historinha para o seu filho todas as noites. O carinho da sua voz fará com que a literatura tatue-se em seu íntimo e pode estar certo de que de lá nunca, nunca mais sairá. Sou um produto do livro. Da leitura de livros, de gibis, de jornais. O melhor aprendizado que tive na vida foi a conquista da leitura solitária. Se o bem que isso fez para mim serve para a formação das crianças e dos adolescentes? Para mim serviu... Deve servir também pra muita gente”, diz o escritor, um dos mais vendidos do Brasil, autor de clássicos como “A droga da obediência” e “A marca de uma lágrima”.
A escritora Rosa Amanda Strauz, que já conquistou dois prêmios Jabuti, o mais importante do mercado editorial brasileiro, acredita que o país tem um movimento leitor forte, mas ainda muito concentrado dentro das escolas.

“Temos uma literatura de altíssimo nível, mas as pessoas precisam ser lembradas disso. Meu primeiro livro foi para o público adulto. Comecei a escrever história infantis para  meu filho, até que um amigo meu viu o texto e achou tão bom que sugeriu a publicação. Foi assim que ganhei o primeiro Jabuti, por “Mínimo Múltiplo Comum”, em 1991. Em 1995, com “Mamãe Trouxe um Lobo para Casa!” ganhei o prêmio Revelação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). A literatura desperta na pessoa a noção de alteridade, ou seja, a percepção do outro, porque ela fica mergulhada na história do ponto de vista de outra pessoa. Dessa forma, os livros ampliam nossa visão a respeito do que é humano”, explica a escritora.

Fonte:Globo Cidadania.

A sustentabilidade do clima organizacional


Ao ler notícias sobre o Programa de Voluntariado da Copa 2014, onde a falta de transparência foi absoluta desde o processo de seleção, as dezenas de etapas e a entrega das credenciais geraram inúmeros desencontros de informações.
Alguns que se inscreveram para serem voluntários foram erroneamente cadastrados no programa "Quero Vestir a Camisa" que, diferentemente do primeiro, seriam remunerados para atuarem na venda de bebidas e lanches durante as partidas.
Já há relatos de processos trabalhistas após o término do evento. Esses conflitos serão somados a números espantosos, de acordo com dados da Pastore Advogados. O relatório do Conselho Nacional de Justiça mostra que tramitaram sete milhões de ações em 2013, sendo 3,8 milhões de casos novos e 3,2 milhões já existentes.
Para combater isso, o número de juízes, funcionários e o próprio orçamento da Justiça do Trabalho cresceram nos últimos anos. Em 2012, o total de servidores aumentou 15%, a maioria de concursados e efetivos, o que revela o bom nível de qualificação. O Brasil tem oito juízes por 100 mil habitantes e está acima da média internacional. Entretanto, o número de processos aumenta mais do que o quadro de servidores e a própria eficiência deles. A produtividade cresceu cerca de 3% ao ano, o que é admirável, mas o número de ações subiu para 6%, somando-se a um acúmulo histórico que entope os tribunais.
As informações mostram de forma clara que há algo errado. O que motiva o funcionário a entrar com um processo contra seu empregador? Salvo em alguns casos onde o empregado age de má fé, normalmente as ações trabalhistas têm origem emocional e ocorrem por falta de Gestão de Pessoas. E, claro, essa não é uma função somente da área de Recursos Humanos, mas de todo gestor.
Quantas vezes vemos o RH ser refém do dono da empresa quando, na verdade, deveria ser parte estratégica da empresa - afinal, as pessoas são parte vital da organização. A sustentabilidade das relações de trabalho passa pela compreensão do setor pelo proprietário da organização, certo?
Nem tanto! Não podemos ficar esperando o dono ter essa noção para podermos sugerir algo. Quando isso acontece, a primeira postura do RH é encontrar pessoas interessadas em fazer mudanças para o bem - e elas existem em quaisquer áreas, basta procurá-las. Pode ser um papo despretensioso no café ou alguma manifestação diante de um problema específico na empresa.
Lembrando apenas que pessoas comprometidas e que gostam de seu trabalho sempre estão atentas!
Quando acontece o encontro entre vontade e competências chega-se a lugares inesperados. Não há soluções melhores do que as propostas por pessoas que estão na linha de frente e que deparam com os problemas todos os dias. Colaboradores bem orientados, ouvidos e engrandecidos pela empresa e que se sentem fundamentais em suas áreas são mais produtivas, criativas e empolgadas para enfrentar os desafios e, principalmente, se mantêm na corda bamba do cotidiano, pois em nosso século o equilíbrio é saber gerenciar o caos.
Diante disso, vocês acham que haverá passivo trabalhista? Se houver preocupação na comunicação e no gerenciamento de conflitos, alguém se sentirá à vontade de processar o empregador? Afinal, pessoas e empresas estão em um processo evolutivo e sempre há erros - a diferença está em perceber e repará-los de forma transparente.
Este é um desafio para o RH, pois o setor é a engrenagem para gerenciar de forma sustentável o clima organizacional. Acredito que mostrando em números o que a empresa deixou de gastar em passivo trabalhista, terão nas mãos motivos de sobra para mostrarem como são estratégicos. Afinal, é melhor prevenir do que indenizar!

Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Motivacao/Artigo/9323/a-sustentabilidade-do-clima-organizacional.html

Modelo ajuda a direcionar a inovação no setor de serviços

quarta-feira, 23 de julho de 2014



Quando se fala em inovação, logo pensamos em tecnologia. Mas é possível se pensar em inovação também no setor de serviços, como mostra uma pesquisa de doutorado realizada na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. “Inovação em serviços são as adequações que a empresa implementa no produto para atender às necessidades do cliente. E uma das formas mais adequadas de pensá-la é na segmentação correta da proposta de valor da empresa por meio do monitoramento e ajuste do valor de uso pelo cliente no pós-venda”, conta o autor do estudo, o pesquisador José Carlos de Lima Junior, do Centro de Pesquisa e Projetos em Marketing e Estratégia (Markestrat).


Lima Junior utiliza como exemplo o caso da telefonia celular. Num primeiro momento — denominado pelo pesquisador como antes do ponto de contato entre o cliente e a empresa — o consumidor faz uma série de pesquisas sobre as várias operadoras existentes até escolher uma. Num segundo momento — no ponto de contato entre a empresa e o cliente — o consumidor vai até uma loja desta operadora e, em conjunto com o vendedor, escolhe um plano e um aparelho celular que sejam mais adequados à suas necessidades. Nesse momento, ocorre a customização do produto e a co-criação de valor pela interação empresa e cliente.


O terceiro momento é quando o consumidor sai da loja e faz uso do aparelho — ”depois do ponto de contato”. É a partir daí que começa o valor de uso. “A inovação em serviços pode vir a acontecer sempre que o valor de uso é monitorado de maneira adequada e o marketing da empresa faz os ajustes necessários na oferta de valor do produto comercializado. Se a empresa perceber alguma falha, basta ajustar o próprio sistema de serviços nas fases de oferta e co-criação. Assim acontece a maioria das inovações em serviços”, explica.

Modelo de inovação em serviços

Em seu doutorado, Lima Junior desenvolveu um modelo de inovação em serviços que pode ser aplicado a qualquer setor. Este modelo foi idealizado a partir da análise das vantagens e desvantagens dos modelos já existentes, acrescidos pelo conhecimento científico atualizado em diversas instituições acadêmicas do mundo, e posteriormente ajustada com um estudo de caso realizado no resort Costão do Santinho, em Florianópolis, Santa Catarina. Lima Junior conta que essa escolha foi baseada na seguinte constatação: o hotel foi premiado diversas vezes como o melhor resort de praia do Brasil, desbancando os do Nordeste.


No entanto, algumas coisas o intrigavam. A primeira é que o resort fica no Sul do País, local onde, diferentemente dos estados nordestinos, não há sol e calor o ano inteiro. A segunda é que as premiações partiram tanto do ramo lazer como do ramo eventos.


“São dois públicos diferentes que têm necessidades completamente distintas. Trata-se de um caso único e atípico e que é justificado pela inovação em serviços que o resort implantou, oferecendo um tratamento personalizado para cada hóspede em ambos segmentos”, diz. Lima Júnior entrevistou desde o presidente do resort até a equipe operacional, passando por diretores, gerentes e supervisores. O intuito era entender como funcionava o sistema de serviços internos, fundamental na proposição de valor do produto.


“No Costão do Santinho esse sistema é dividido em 44 células individuais. Cada uma cuida de um setor específico, mas que mantêm uma boa interação entre si para produzir e entregar aos clientes os produtos relativos às diversas atividades”, explica. Baseado nisso, o pesquisador desenvolveu um modelo de gestão que pode ser implantado em qualquer empresa, visando a inovação em serviços. “Nesse momento, há duas multinacionais interessadas em conhecer melhor o modelo e aplicá-lo”, informa.

Atualização do conceito

Lima Junior percebeu que a maioria das pessoas tem um conceito equivocado de inovação, sempre associando à tecnologia ou a um aspecto unicamente tecnicista dos serviços, como no caso do auto-atendimento dos bancos. Isso dificulta a compreensão das possibilidades da inovação em serviços.


Ele constatou ainda uma carência na literatura sobre o tema. “O marketing tem a função de facilitar o processo de troca entre dois atores, mas o consumidor, um desses atores, precisa ter a realidade revista. A maioria dos livros de marketing foram pensados para ter um produto manufaturado como elemento central. Hoje, o consumidor é ativo nessa relação de troca e os pontos de contato de uma empresa com o seu cliente são os mais diversos em uma sociedade de serviços”, destaca.


“O produto deixou de ter apelo pela sua função principal e se tornou uma extensão do próprio consumidor a partir da integração dos serviços presentes nele. No entanto, a maneira de pensar a função marketing não se atualizou a esta nova realidade. Por isso é necessário atualizar a literatura sobre gestão em marketing, principalmente em perceber que a empresa apenas propõe valor em um produto e o consumidor é o responsável pela co-criação do valor a partir do valor de uso que dará ao mesmo”, finaliza.


A pesquisa Proposição de um modelo de inovação em serviços a partir da perspectiva do marketing de serviços, foi defendida na FEA no dia 30 de abril de 2014 sob a orientação da professora Ana Akemi Ikeda, da FEA.

Fonte: FEAUSP - Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo