É preciso repensar educação, defende diretor do Senai

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Treinamento do curso técnico de mecânica de automóveis, no SENAI do Ipiranga.
São Paulo - O diretor geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, defendeu durante o Fórum Estadão Competitivo, nesta terça-feira, 19, em São Paulo, que é preciso repensar o sistema educacional brasileiro para adaptá-lo às mudanças pelas quais a sociedade vem passando.
De acordo com ele, só com essas transformações o país terá trabalhadores mais qualificados e, com isso, aumentará a produtividade, considerada muito baixa em relação a outros países do mundo. Em sua avaliação, é preciso educar melhor, em larga escala e a baixo custo.
Entre as mudanças, ele defendeu que a escola precisa assegurar o diálogo, mas com firmeza de propósito à meritocracia.
Segundo ele, é preciso ajustar a estrutura curricular à necessidade da juventude. "Tem que dialogar com as novas formas de comunicação. Hoje, 90% dos alunos estão nas redes sociais", afirmou.
Ele destacou ainda que é preciso assegurar a formação e capacitação dos professores, indo além de uma agenda só de aumento de salários, e implantar planos de gestão, para expandir a qualidade para todas as escolas brasileiras.
Em sua fala, Lucchesi elogiou o Pronatec, avaliando como o mais bem-sucedido programa do governo na área de educação. Ao mesmo tempo, criticou o programa Educação de Jovens Adultos (EJA), que, para ele, é a maior "tragédia", com mais de 80% de evasão.
"Precisamos repensar essa educação. Flexibilizar estruturas engessadas", defendeu, acrescentando que é preciso adaptar o sistema educação também à mudança demográfica.
O diretor avaliou que o país precisa ter a ambição de estabelecer a educação como desejo de mudança central. Segundo ele, atualmente, existe apenas um único grupo de pressão que atua fortemente na escola, que são aquelas pessoas que trabalham nelas, o que acaba criando uma visão extremamente corporativista.
"Há uma renúncia de participação das famílias, da imprensa, dos políticos, mas isso é responsabilidade nossa. Se queremos mudar esse jogo, temos de discutir a escola no centro do debate nacional, sem pressão ou ufanismo", disse.
FONTE:Exame

Feedback: que bom!



 
 Por Eni Santos para o RH.com.br 

Assim como a formação, a experiência e os relacionamentos podem turbinar uma carreira. O feedback, quando bem aproveitado, também se configura como uma poderosa ferramenta de desenvolvimento profissional. 
Porém, para que ele possa surtir o efeito desejado, ou seja, transformar-se em aprendizado, proporcionar o autoconhecimento e, dessa forma, contribuir para uma performance superior, é necessário que o profissional adote um valioso padrão mental: reflita, avalie e tire proveito de toda a informação passada nesta ocasião, independentemente de quem tenha partido - seu superior, colega de trabalho, cliente ou fornecedor. 
Esse padrão mental, comum a profissionais de alta performance, apresenta três vantagens: ameniza os efeitos negativos dos sentimentos relacionados ao recebimento de feedbacks, tais como de inferioridade, injustiça, rejeição, perseguição, indignação, medo, opressão e até de desconfiança, no caso do conteúdo trazer um elogio; reduz a possibilidade de reações de fuga, defesa, desprezo e desequilíbrio bloquearem a atenção às informações recebidas; posiciona o feedback como, de fato, deve ser - um processo de desenvolvimento, e por isso, isento de uma classificação positiva ou negativa. 
Por outro lado, existem várias crenças que impedem a reflexão e a avaliação assertiva sobre o que foi dito no feedback e, por consequência, minimizam as oportunidades de aprendizado e boicotam o crescimento. Três das crenças mais comuns são: "receber feedback é ruim, faz parte do rol das angústias corporativas". Na verdade, o que o torna menos prazeroso do que aprender, por exemplo, nas aulas de MBA, é que o conteúdo advindo dele pode trazer informações que não condizem com o autorretrato que fazemos a respeito do nosso desempenho e isso é desconfortável.
 Uma segunda crença é negligenciar o feedback recebido em função da fonte e da forma como foi transmitido. O crédito à informação obtida deve estar atrelado aos fatos e não à pessoa, circunstância ou tom de voz. Nesse sentido, vale lembrar que, no meio corporativo, há muitas profissionais sem o devido preparo técnico e emocional para dar feedbacks. 
Outra crença, e esta particularmente pautada pelo orgulho, diz respeito a pensar que não é preciso valorizar os feedbacks recebidos porque se tem muita experiência e bom nível de formação, pela posição ocupada na empresa ou ainda pela grande responsabilidade e conhecimento sobre o que está sendo feito.
 Confira algumas dicas para se fazer bom uso do feedback: 
1 - Delete as crenças que impedem o aprendizado advindo do feedback. Se a mensagem dada não estiver clara, demonstre sincero interesse e peça exemplos para facilitar o entendimento.
2 - Reflita sobre ele, preferencialmente fora do local de trabalho.
3 - Escreva seu conteúdo em forma de tópicos. Isso facilita a filtragem das emoções e o processo de avaliação.
4 - Avalie cada tópico sob a ótica do seu desenvolvimento e objetivos profissionais e promova as mudanças. 
Ao receber um feedback, você estará diante de duas possibilidades: negligenciar e continuar na mesmice ou tirar proveito dele e se posicionar como um profissional de alta performance e protagonista de sua carreira. Pense nisso!

Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Comunicacao/Artigo/9382/feedback-que-bom.html

O segredo do sucesso na hora de tomar decisões no trabalho

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

                                                


Uma das maiores autoridades do mundo em estudos sobre tomada de decisão, o britânico Dave Snowden fala sobre como aumentar chances de acertar na hora de decidir

São Paulo – Ao longo dos anos executivos têm buscado uma “receita” para tomar boas decisões. Assim lançam mão de estratégias e táticas que funcionaram no passado tentando resolver os novos problemas e questões que surgem em seu dia a dia de trabalho.

Esta é uma atitude equivocada e com altas taxas de fracasso. Quem diz isso é uma das maiores autoridades do mundo em tomada de decisões, o professor britânico Dave Snowden.

Ele é fundador da Cognitive Edge, uma rede de pesquisa internacional, baseada no Reino Unido, e criador do Cynefin Framework, uma metodologia específica para nortear decisões.

Com o seu método, colabora com os governos dos Estados Unidos, Reino Unido, por exemplo, e empresas como Intel, Boeing e Shell.
Em outubro ele vem ao Brasil para um seminário sobre liderança, gestão de conhecimento e tomada de decisão em ambientes de incerteza e elevada complexidade, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, falará para um grupo fechado de presidentes de empresas.

Em sua metodologia, Snowden separa e qualifica quatro tipos de contexto em que os problemas aparecem inseridos: simples (também chamado de óbvio), complicado, complexo e caótico.

“A chave é reconhecer que uma decisão que funcione em um contexto pode não funcionar em outro”, disse o professor em entrevista exclusiva a EXAME.com.

E Snowden é categórico em afirmar que “um bom líder será sempre bom na tomada de decisões em ambientes de alta complexidade”.
Na opinião dele, o segredo de muitos executivos de sucesso é saber “ler” o ambiente em que o problema se insere.

“A essência é que para diferentes contextos, devem ser usados diferentes métodos para a tomada de decisões”, explica Snowden. A seguir, veja a características de cada um destes contextos e as ações recomendadas para acertar na decisão:

1. Contexto simples (ou óbvio)
 
Estabilidade e a evidente relação entre causa e efeito são as principais características em contextos simples.

Quando o problema surge neste ambiente, existe uma solução certa e ela é visível. Cabe ao executivo perceber a situação, categorizá-la e dar a solução, que pode ser delegada.

“Em uma cirurgia a ação de checar o número de instrumentos cirúrgicos antes de começar e depois de terminada a operação é um exemplo de tomada de decisão em um contexto simples. Mas imagine quantos instrumentos não eram esquecidos dentro de pacientes antes de essa decisão, simples, ser tomada”, exemplifica.

2. Contexto complicado
 
A relação entre a causa e efeito não é tão visível a todos em um primeiro momento e há mais de uma solução certa possível, se o ambiente é complicado.

Por isso o diagnóstico de um (ou mais de um) especialista se faz necessário, antes de tomar a decisão, segundo explica Snowden.
Um motorista pode saber, por exemplo, que há algo errado com seu veículo. Mas o diagnóstico do problema será feito por um especialista em mecânica. “A questão aqui é trazer expertise no processo de pesquisa”, diz Snowden.

Neste ambiente, o plano de ação, segundo Snowden, é perceber o problema, analisar - com a ajuda de um painel experts - e, só assim, dar a resposta à questão.

3. Contexto complexo
 
É o contexto mais frequente que se desenha na rotina corporativa dos negócios e onde o domínio é o da imprevisibilidade. “São sistemas em que você tem múltiplas influências e fatos, o que torna constante e complexa a incerteza da situação”, afirma Snowden.

Transformações nas empresas como fusões, aquisições, solavancos da economia e no mercado, são exemplos de fatores que introduzem incerteza e tornam o contexto complexo para a tomada de decisão, explica Snowden.

Acertar em soluções neste tipo de ambiente é fundamental para o líder de sucesso nos negócios, segundo ele.

Mas, para isso, a palavra de ordem que norteia o plano de ação, segundo o especialista, é experimentação. E, neste cenário, o medo de errar é paralisante e meio caminho para o fracasso.

Não existem respostas certas, por excelência, no contexto complexo. O que existem são possíveis soluções construídas a partir de experiências inovadoras. Cabe ao executivo criar um ambiente propício e dinâmico para que soluções emerjam.

4. Contexto caótico
 
Relação entre causa e efeito impossível de ser determinada, ausência de padrões gerenciáveis e um sem- número de decisões tomadas em um curto espaço de tempo. Essas são as características de um ambiente caótico clássico. Domínio é o da tensão e o reino, da turbulência.

Neste contexto, cabe ao líder agir imediatamente. O objetivo é reestabelecer a ordem e transformar o caos em um contexto de complexidade.

Em seu artigo na Harvard Business Review, Snowden dá como exemplo os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 e tomada de ação rápida e eficiente do prefeito Rudolf Giuliani, na época.

Em vez de procurar a resposta certa, o executivo, afirma Snowden, deve buscar soluções que funcionem. É que a ação para reestabelecer a ordem é o primeiro passo, e assim, transformar o caos em complexidade. Assim o norte do plano de ação ano caos é: agir, perceber e responder.


Fonte:http://exame.abril.com.br/

O que é a autonomia do Banco Central? Ela é boa?



O Banco Central entrou no debate eleitoral. Mais especificamente, a forma como ele será gerido. Na disputa pela simpatia do mercado financeiro, Aécio e Marina se opõem à política econômica do governo atual e defendem maior independência do órgão. O governo de Dilma Rousseff, por sua vez, defende que a política econômica do País é uma prerrogativa do Poder Executivo, e que o BC já tem autonomia operacional. Em linhas gerais, o que está em disputa é o conceito geral de como cuidar da economia e, de certa forma, dos rumos da nação: de um lado estão os que defendem a intervenção mínima do governo. Para estes, o mercado pode se autorregular, e um BC totalmente independente é parte do pacote. Do outro lado estão os que defendem alguma intervenção do governo na economia, de forma a garantir que o Poder Executivo eleito pela maioria da população (e não o mercado) seja a voz mais forte na definição das prioridades da economia nacional. O assunto pode soar arenoso ou parecer mera discussão técnica. Mas não se engane: o regime do Banco Central pode influenciar diretamente no dia a dia de sua família. Saiba como:


O que o Banco Central faz?

É responsável pelo sistema financeiro de um país ou de um bloco de países, como no caso da União Europeia. Emite a moeda e fixa a taxa de juros básica, que serve de parâmetro para todas as demais taxas de juro do mercado, como a do seu cartão de crédito. Atua no mercado de câmbio, sendo o principal responsável, em última instância, pela cotação do dólar e do euro, por exemplo. O BC ainda coordena os depósitos compulsórios, mecanismo que garante que o dinheiro de todas as contas e investimentos do País "exista de verdade". Em alguns casos, o Banco Central também empresta dinheiro a bancos em dificuldades, buscando evitar que o país entre em crise.



Quem nomeia o presidente do Banco Central?

No Brasil, o Poder Executivo indica a diretoria. Ou seja, é o presidente da República quem indica o presidente do BC. Também é responsabilidade do Executivo definir suas metas e supervisionar sua execução. É assim que funciona no Brasil. Com as mudanças propostas pela oposição, o presidente do Banco teria um mandato a ser cumprido e não poderia ser demitido, a não ser em circunstâncias extraordinárias, como a comprovação do seu envolvimento em atividades ilícitas.



O que está sendo proposto por Dilma, Aécio e Marina?

O PT de Dilma Rousseff defende a autonomia operacional do órgão, mas argumenta que a economia precisa ser dirigida por aqueles que são eleitos; Aécio Neves (PSDB) defende mais autonomia, mas diz ser mais importante a sinalização que o presidente dá em relação a uma autonomia completa do que uma lei propriamente dita que garanta a independência do BC.

Marina Silva (PSB) é que tem a posição mais firme no sentido de deixar o mercado se autorregular. É a única dos três candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos que defende uma autonomia garantida por lei. Eduardo Campos também defendia maior autonomia do BC.

A posição da candidata difere da que ela defendeu no pleito de 2010, quando disputou o Planalto pelo PV. À época, Marina falava em uma autonomia operacional e não institucionalizada.



Quais seriam as vantagens de uma maior autonomia do Banco Central?

Defensores de uma maior independência do Banco Central, como Eduardo Giannetti da Fonseca, conselheiro econômico de Marina Silva, observam que a independência impede que o Executivo interfira nas decisões do BC. Seria uma forma de manter a entidade mais preservada de pressões políticas e com maior credibilidade. Essa combinação "acalmaria" o mercado e contribuiria, em teoria, para diminuir as expectativas de inflação.



E quais seriam as desvantagens de uma maior autonomia do BC?

Os críticos à independência total do Banco Central argumentam que quem tem de definir a política econômica do País, que tem forte impacto no dia a dia da população, é um governo eleito, e não técnicos financeiros. Para a equipe econômica de Dilma, o governo não pode abrir mão de sua autoridade monetária. Por fim, não há consenso entre os economistas sobre a relação direta entre uma maior independência do BC e menores índices de inflação.



Há algum projeto de lei tramitando no Congresso sobre o tema?

Sim, há um projeto de lei que prevê maior autonomia do BC, de autoria do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), um substitutivo da proposta do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Pelo texto, os diretores teriam seis anos de mandato. Além disso, caso haja demissão do presidente ou dos diretores do BC pelo presidente da República, isso teria de ser justificado e aprovado pelo Senado, assim como a nomeação. O texto, aprovado pelo plenário do Senado, seguiu para discussão na Câmara e não tem data para ser votado.



Como funciona o Banco Central em outros países?

Como no Brasil, o Federal Reserve (Banco Central norte-americano) é presidido por um nome indicado pelo chefe do Executivo. A diferença é de que lá existe um mandato de quatro anos para o cargo, que pode ser renovado. O presidente dos EUA não tem poder para depor esse mandatário do Federal Reserve, e este deve se reportar ao Senado e à Câmara.

Na Europa, desde 1988 a principal atribuição do Banco Central Europeu (BCE) é administrar o euro. Para isso trabalha em conjunto com os bancos centrais dos países que fazem parte da Zona do Euro.

O Reino Unido faz parte da União Europeia, mas a população votou contra a unificação econômica, então lá circula a libra e não o euro. E é o governo que estabelece quais são as metas de seu Banco Central. O BC britânico, contudo, tem autonomia para determinar qual caminho utilizará para atingir as metas propostas pelo governo.

Vários outros bancos centrais ao redor do mundo têm autonomia formal garantida em lei. Além do Fed e do BCE, os bancos centrais do Japão, Chile e México mantêm certa autonomia em relação às decisões dos governos de seus países.

Fonte: Carta Capital