Após acordo, Senado adia votação da MP do seguro-desemprego

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Medida provisória faz parte do esforço do governo pelo ajuste fiscal.
Acordo foi feito após mais de três horas de discussão do texto.

          


Após mais de três horas de discussão, os senadores resolveram nesta quarta-feira (20) adiar a votação da medida provisória 665, que muda os critérios para o acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial e ao seguro-defeso. O acordo foi feito entre os líderes partidários na Casa e prevê que o texto seja votado apenas na próxima terça-feira (26).

Considerada pelo governo como necessária para o ajuste fiscal que visa reequilibrar as contas públicas, a MP 665 foi editada em dezembro de 2014 pela presidente Dilma Rousseff juntamente com a MP 664, que restringe o acesso à pensão por morte. A segunda medida estava prevista para ser votada no Senado na próxima semana mas, como a primeira ainda não foi votada, pode ter a votação adiada.

O acordo para adiar a votação foi proposto pelo líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (MS), após senadores criticarem a tentativa do parlamentar, ao lado do líder do governo no Congresso, José Pimentel (PB), de encerrar a discussão e iniciar a votação do texto. Os governistas temiam que a redução do quórum no plenário dificultasse a aprovação da medida.

Delcídio acabou propondo que todos os senadores já inscritos falassem na tribuna ainda na sessão desta quarta, mas que a votação fosse deixada para a próxima a próxima semana.

A discussão da MP 665 teve início no plenário por volta das 18h. O primeiro senador a fazer uso da palavra foi o relator da matéria, senador Paulo Rocha (PT-PA). O petista defendeu que o texto seja aprovado na Casa conforme a Câmara votou, sem novas alterações.

Em seu relatório, Rocha manteve os trechos em que a Câmara amenizou as mudanças feitas pelo governo no acesso a benefícios trabalhistas. "Eu me dispus a ser relator porque acho que o governo errou em mandar a medida provisória como mandou, sem discutir com as centrais sindicais e os trabalhadores", disse.

Após a fala do relator, o senador Aloysio Nunes subiu à tribuna do Senado para criticar a medida e o governo da presidente Dilma Rousseff. "Essa medida é tão absurda e inadequada com a situação do Brasil que não chega a ser um erro [...]. Exatamente no momento que o desemprego aumenta no país, a presidente Dilma quer, com apoio do Senado, restringir o acesso ao seguro desemprego e ao abono salarial", declarou.
Tumulto
Houve tumulto na sessão ocorreu durante a fala do líder do PT, Humberto Costa (PE). Enquanto o senador falava, integrantes da Força Sindical começaram a vaiar o petista. Costa criticou a oposição e disse que, se estivessem governando o país, "hoje estariam defendendo boa parte dessas políticas".

"Não tenho medo de vaias", repetiu o petista. "Não tenho medo de vaia, nem o governo tem medo de vaia, nem o PT tem medo de vaia."
Logo após as primeiras vaias, Renan Calheiros pediu silêncio aos manifestantes para que os trabalhos não fossem prejudicados. Depois de Costa concluir seu discurso, os sindicalistas voltaram a vaiar e jogaram as notas falsas no plenário.
Os papéis trazem imagens da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Em cada cédula, há a foto de um dos três políticos, com a expressão “Petro Dólar”.
"Eu peço para a Secretaria-Geral da Mesa para esvaziar as galerias", gritou Renan Calheiros.

Senadores dissidentes
Antes mesmo da sessão começar, dois senadores do PT - Paulo Paim (RS) e Lindbergh Farias (RJ) -, anunciaram que votariam contra a medida provisória. Também anunciaram voto contrário à MP, por meio de um manifesto, os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Cristovam Buarque (PDT-DF), Lídice da Mata (PSB-BA), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Roberto Rocha (PSB-MA), Hélio José (PSD-DF) e Marcelo Crivella (PRB-RJ). O senador José Antônio Reguffe (PDT-DF) também discursou em plenário contra a medida.


"Nós vamos votar contra o ajuste para dizer que existe uma parte da sociedade, dos movimentos sociais, dos partidos de esquerda, que querem que esse governo dê certo, mas para isso tem que mudar o rumo", afirmou Lindbergh Farias.

FONTE:g1.globo.com.br

Aumenta o número de brasileiros trabalhando por conta própria

terça-feira, 19 de maio de 2015

      

  


Especialista diz que "trabalho autônomo é mais precário que o emprego"
O emprego tradicional, com carteira assinada e patrão, está perdendo terreno para formas mais precárias de ocupação. A falta de vagas no mercado de trabalho, que vem despontando com mais força neste ano, empurrou boa parcela dos brasileiros para os serviços por conta própria, normalmente mais voláteis, imprevisíveis e com menor remuneração.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, mostram que, entre março do ano passado e março deste ano, 868 mil pessoas passaram a trabalhar por conta própria, ampliando para 21,773 milhões o contingente nessas condições.
Na contrapartida, 740 mil pessoas perderam a condição de empregados, restando um saldo de 46,1 milhões de trabalhadores no setor privado, com e sem carteira assinada.
Não fosse essa substituição, somada ao aumento de 359 mil empregados no período, o índice de desemprego no País, que chegou a 7,9% em março, teria ultrapassado os 9%, calcula o pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) Eduardo Zylberstajn.
— Se todas as pessoas que optaram pelos serviços por conta própria estivessem procurando emprego, a taxa iria para 9,2%.
Zylberstajn pondera que muitos podem ter escolhido esse tipo de trabalho mesmo sem terem sido demitidos, mas ressalta tratar-se, em sua maioria, de uma ocupação "mais volátil, imprevisível e que prejudica o rendimento familiar".
Por um lado, essa situação contribuiu para que o saldo da população ocupada no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2014 continuasse positiva - cresceu 0,8%, para 92 milhões de pessoas. Por outro, traz mais instabilidade e reduz o índice de confiança dos consumidores.
— Normalmente, o trabalho autônomo é mais precário que o emprego. O fluxo de rendimento é menos previsível, há uma incapacidade de projetar o futuro, de comprovar renda e, portanto, de obter crédito. É uma regressão.
Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, também afirma que mercado de trabalho ruim aumenta número de trabalho por conta própria.
— A pessoa sozinha ou com algum auxiliar começa um empreendimento como alternativa, já que o mercado de trabalho está muito ruim. Esse movimento não é o empreendedorismo como conhecemos; é um espelho da perda de ritmo da formalização.
Para Zylberstajn, esse quadro "reforça a leitura de que o mercado de trabalho finalmente sentiu a desaceleração econômica que vem ocorrendo desde 2011". Em sua opinião, o ciclo de deterioração do emprego deve se manter por um tempo considerável.
— Com certeza, antes de 2016 não sairemos dessa situação.
Marmitex
Por sete anos Ulisses Santoro rodou a cidade de São Paulo todos os dias em busca de clientes para a empresa de telecomunicações na qual trabalhava. Hoje, aos 50 anos, continua rodando por aí, mas numa missão diferente: fazer entregas de seu próprio serviço de marmitex e congelados.
— Hoje, meu raio de atuação é 1 quilômetro. Antes, era a cidade toda.
Após ser demitido com outros colegas, no início de 2014, montou com a esposa Teresa o próprio negócio de delivery, chamado Mama Maria Refeições - uma homenagem à sogra. "Não sou o melhor marido do mundo?", brinca.
O negócio funciona no próprio apartamento do casal, na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo. Eles contrataram uma cozinheira e, aos poucos, passaram a investir em equipamentos, como freezers e uma balança de precisão
— No total, gastei uns R$ 3 mil. Nem precisou de tanto investimento, é mais coragem, porque você fica meio receoso.
A escolha da investida na área da alimentação não foi à toa.
— Queria algo no ramo de comida, porque pode vir crise, pode parar a construção civil, o ramo de automóveis, pode mandar todo mundo embora, mas sempre alguém vai precisar comer.
Ulisses afirma que, apesar de o negócio ainda estar no início, ele consegue um faturamento próximo ao que tirava como empregado. Para ele, no momento atual do mercado, pensar numa alternativa é necessário.
— O sistema de aposentadoria, por exemplo, é pífio. As pessoas têm de se virar, pensar num plano B seja qual for a profissão.
Camisetas. Formada em moda, Renata Barbosa, 33 anos, que mora em Sorocaba (SP), não via grandes perspectivas na cidade para sua profissão. Renata foi para a capital em busca de emprego, mas o alto custo de vida a fez retornar a Sorocaba, onde migrou para o comércio.
— Aqui há apenas duas confecções grandes. Eu já passei por ambas, e tinha duas opções: ou trabalhava no comércio ou ia para São Paulo.
Para complementar a renda enquanto trabalhava como vendedora de uma loja de roupas, começou a confeccionar camisetas estampadas para amigos. Por falta de tempo, teve de parar com o negócio. Em abril, porém, foi demitida do emprego. Com o dinheiro da rescisão, cerca de R$ 2,5 mil, decidiu investir de vez no ramo de camisetas.
"Comprei uma máquina, tecido e fiz parceria com a estamparia de amigos. Faço a modelagem, corto e costuro, além da arte da estampa", diz.
Renata não sabe ainda quanto vai obter de renda, e conta que tem vários amigos na mesma situação.
"Na semana que vem haverá um bazar só para esse tipo de coisa: terá brechós, gente com a própria marca de roupas, gente que faz bijuteria. Cada um está se virando como pode, porque este ano a economia está bem complicada", diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: http://noticias.r7.com

Enem 2015 será em outubro e inscrições começam em 25 de maio

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Taxa de inscrição sobe para R$ 63,00; valor era de R$ 35,00 desde 2004. Isenção é automática para aluno da rede pública no fim do ensino médio.
Cronograma Enem 2015
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 será realizado em 24 e 25 de outubro. As datas das provas foram anunciadas pelo ministro da Educação, Janine Ribeiro, nesta quinta-feira (14), em Brasília.

O ministro afirmou que a publicação do edital com todas as regras será feita na segunda-feira (18) no "Diário Oficial da União". Veja abaixo os destaques:

DATA DAS INSCRIÇÕES

As inscrições ocorrem entre 25 de maio e 5 de junho. Para quem não conseguir isenção, a inscrição só será "confirmada" após o pagamento da taxa de R$ 63 até as 21h59 do dia 10 de junho.

TAXA DE INSCRIÇÃO

Sofreu aumento pela primeira vez em mais de dez anos. Até 2014, o valor era R$ 35. Agora, passa a ser de R$ 63.

ISENTOS DE TAXA

Estudantes da rede pública no último ano do ensino médio estão automaticamente isentos. Além deles, podem obter isenção candidatos que comprovarem carência, segundo as regras do edital.

CARTÃO DE INSCRIÇÃO

Deixará de ser impresso pelo MEC e enviado pelos Correios. Agora, terá que ser baixado ou consultado diretamente no site do Enem. O documento serve para orientação e não precisa ser apresentado no exame.

MEDIDAS DE SEGURANÇA

Não será possível usar o mesmo e-mail para fazer mais de uma inscrição. Além disso, todos os candidatos deverão informar número de telefone (celular ou fixo) válido. Eles também terão que criar uma pergunta e resposta de segurança no login.

O detector de metal será novamente aplicado nos locais de prova.

CONTRA FALTAS

Segundo o ministro, cerca de 30% das provas impressas acabam sem uso por causa das abstenções. Para tentar diminuir as faltas, o MEC afirmou que estudantes liberados do pagamento que não forem às provas vão perder o direito à isenção na próxima edição.

DURAÇÃO DAS PROVAS

No primeiro dia, ciências humanas e ciências da natureza terão 4 horas e meia de duração. No segundo dia, linguagens, matemática e redação terão 5 horas e meia de duração.

HORÁRIOS DAS PROVAS

Portões serão fechados às 13h (horário oficial de Brasília). Mas, dessa vez, as provas só começam 30 minutos depois do fechamento dos portões.

SABATISTAS

Os sabatistas no Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima poderão fazer as provas do sábado às 19h do horário local. Nos demais estados, a prova do primeiro dia para os sabatistas começa às 19h do horário de Brasília.

TOTAL DE PARTICIPANTES

Estimativa de mais de 9 milhões de inscritos. No ano passado foram 8,7 milhões, dos quais 6,2 milhões de fato compareceram.

MUDANÇAS E ECONOMIA
O MEC busca economia de até 20% no custo do Enem 2015. O valor alcançado pode ser de ao menos R$ 90 milhões com o aumento da taxa de inscrições, medidas contra faltas e mudança no envio do cartão de inscrição.

"Nossa meta principal é fazer o Enem, não fazer economia. Mas, se for possível, vamos fazer economia", disse Ribeiro. A estimativa é que o custo médio da aplicação da prova por estudante seja de R$ 52.

O ministro justificou o reajuste da taxa após 10 anos. "Tudo subiu na sociedade e esse valor está o mesmo desde muito tempo", disse Ribeiro. Ele afirmou que o reajuste considerou a variação inflacionária no período.

Haverá economia também com o envio dos cartões. De acordo com o ministro, serão poupados R$ 20 milhões apenas com o envio virtual da confirmação, segundo Ribeiro. O presidente do Inep, Francisco Soares, esclareceu que o cartão de inscrição terá que ser baixado pelo estudante no site do Enem. O documento serve para consulta e não precisa ser apresentado no local do exame.

PUNIÇÃO PARA FALTAS NO ENEM

Outra medida que trará redução de custos será o corte da isenção para alunos que forem liberados da taxa e faltarem ao exame deste ano. Quem faltar em 2015 terá obrigatoriamente que pagar a inscrição em 2016.

"Uma pessoa não pode ter isenção graças a recursos que a sociedade está pagando, e jogar isso fora. Há uma responsabilidade moral que é preciso assumir. E no escopo educacional, a ética é fundamental. Educação é também ter responsabilidade com os próprios atos", disse Janine Ribeiro.

Sessenta e cinco por cento dos faltosos do Enem de 2014 eram alunos isentos, segundo o secretário executivo do MEC, Luiz Claudio Costa.

A estimativa é que quase R$ 60 milhões serão poupados com o pagamento de inscrições por alunos que antes estavam insentos.

JUSTIFICATIVA DAS FALTAS

Sobre os estudantes isentos que não compareceram à prova, Luiz Cláudio afirmou que o MEC ainda vai definir as regras para justificar a ausência.

"Não posso dar resposta agora. No exemplo do atraso no transporte coletivo, como provar isso? A pessoa pode ser penalizada, mas precisamos ter certeza disso para não virar a justificativa padrão, como aquelas pessoas que ficam doentes e não têm atestado."



Fonte: Globo.com - http://g1.globo.com/educacao/index.html

Por que poucas mulheres assumem cargos de liderança?

quinta-feira, 14 de maio de 2015



                            
  
Recentemente, por causa do Dia das Mulheres, falou-se muito sobre o universo feminino. E quando trazemos a temática feminina para o mundo do trabalho, tem um ponto que sempre me deixa intrigada: por que temos tão poucas mulheres em posições de liderança, se elas têm as mesmas condições que os homens de progredirem na carreira?
A questão não é simples de entender se considerarmos que as mulheres já representam 42% dos 47 milhões de trabalhadores formais do Brasil (RAIS – Relação Anual de Informações Sociais) e possuem acesso à grande maioria das atividades remuneradas.
Hoje em dia temos mulheres taxistas, engenheiras, delegadas e tantas outras profissões que antes só eram exercidas por homens, então, falar em desigualdade entre os gêneros pode parecer estranho. Mas a realidade mostra que as diferenças entre homens e mulheres ainda existem, embora não apareçam mais de maneira tão evidente.
A pesquisa Liderança Feminina* 2012, realizada com mais de 2 mil executivas brasileiras, identificou algumas questões que permeiam sua trajetória profissional:
  • 54% precisaram incorporar características masculinas em seu estilo de liderança para conquistarem a posição em que estão atualmente;
  • 52% acham difícil conciliar a vida pessoal e a vida profissional;
  • 96% consideram importante a visão feminina na tomada de decisões estratégicas, porém, apenas 76% conseguem enxergar a valorização dessa visão dentro das empresas em que atuam.
Outros estudos já demonstraram que um número significativo de gestoras no topo das organizações apresenta melhores resultados em aspectos como inovação e rentabilidade, além de que empresas com maiores proporções de mulheres executivas enfrentam com mais facilidade as turbulências de mercado.
Diante deste cenário, não faz sentido que tão poucas mulheres ocupem posições estratégicas, principalmente se observarmos que 74% das executivas brasileiras que responderam à pesquisa gostariam de assumir um cargo superior ao atual.
Concordo que os desafios não são poucos, mas elas já podem contar com duas vantagens: 60% dos que se graduam em nível superior são mulheres e a maioria das decisões de compra e dos gastos em bens e serviços também é delas.
Assumir cargos de liderança é facultativo para qualquer gênero, mas é fundamental que as mulheres sempre busquem condições de ir atrás de seus objetivos pessoais e profissionais, assim como o mercado de trabalho deve estar preparado para absorver os diferentes estilos de liderança.